César Cielo, o nosso recordista olímpico e mundial dos 50 e 100 metros livres, estava tão auto confiante que continuaria vencendo seus oponentes, que errou a mão nos treinamentos deste ano. Sente dores pelo corpo todo após as provas e está com lesões nos punhos, nas costas e sente-se exaurido, conforme entrevista ontem à reportagem do Estadão, após ter ido muito mal no Pan Pacifico de Natação nos EUA. Ficou distante de seu técnico principal, que continuou nos EUA chefiando o departamento de natação da Universidade de Auburn, e pulou de cabeça para participar dos compromissos com seus patrocinadores. Agora se preocupa como serão seus resultados na Copa do Mundo de piscina curta e no Troféu José Finkel em setembro. Será que a temporada já era para ele?
A encantadora Diana dos Santos, após 6 anos longe dos pódios mundiais, uma cirurgia no joelho em 2008 e de ter sido afastada das competições por suspeita de doping, voltou à rotina forte dos treinos em julho e ganhou 4 medalhas de ouro no último regional paulista. Ainda terá uma artroscopia no pé esquerdo e mais 2 testes anti doping até o final do ano, o que a impedem de disputar uma vaga na seleção brasileira. Apesar dos 27 anos e de ter de disputar com talentos como a nova sensação russa Viktoria Komora, de apenas 15 anos, treinada pelo seu ex-técnico Oleg Ostapenko, a valente gaúcha não se abate, e promete encerrar a vitoriosa carreira nas Olimpíadas de Londres com uma medalha de ouro no solo.
A vida de técnico de futebol no Brasil é das atividades mais estressantes que existe, e a reportagem do Globo Repórter de ontem esqueceu disso. Ele está sempre entre o céu e o inferno, pois se ganha jogos e vence um campeonato, tem seu contrato renovado com um aumento de rendimentos. Mas se o contrários acontece, pode deixar suas barbas de molho, que o rodo vai passar. A dança das cadeiras continua sem dó nem piedade com eles. Em 16 rodadas do Brasileirão, 13 técnicos perderam seus empregos. O penta campeão Felipão não implaca no Palmeiras. Muricy Ramalho, iniciou sua carreira de técnico como auxiliar do venerado Telê Santana no São Paulo, e após ter proporcionado tanta alegria com os títulos seguidos ao Tricolor Paulista, começou a não performar e foi obrigado a deixar o clube. Depois de longas férias foi treinar o Palmeiras, e também não rendeu. Mas, no quase falido Fluminense, e uma recusa de treinar a seleção canarinho, fato esse que ninguém entendeu realmente, ele já é líder isolado do Brasileirão.
A seleção francesa campeã de 98 não conseguiu nada nas Copas seguintes, e está sendo acusada pelo próprio médico de ter dado substâncias ilícitas aos seus jogadores.
Tyson Gay superou o Usain Bolt nos 100 metros há duas semanas, que, numa mistura de lesão medular e decepção, forçou o “imbatível recordista” a se ausentar das pistas até o final do ano para se cuidar.
Todos sabemos que manter a liderança é mais difícil do que alcançá-la. Os citados acima já sabem muito bem disso, e amarguraram a dor da derrota, após terem colhido os louros.
A Seleção brasilieira masculina de vôlei é um caso à parte, e digno de estudo. Ela segue na liderança com seus 9 títulos da Liga Mundial. Bernardinho, reconhecido mundialmente como o maior treinador de todos os tempos, inova à cada temporada, tem um faro infalível para detectar novos talentos. Ele os coloca ao lado de seus super jogadores para aprenderem todos os truques e malícias das quadras. Faz questão de dizer que todos, sem exceção, são titulares, e promove um rodízio intenso entre eles, não dando chances para estrelismos exacerbados. São um por todos e todos por um. Tanto é que o novato líbero Mário Júnior substituiu o Serginho-escadinha, que se recupera de uma cirurgia no joelho, e deu conta do recado em tão alto nível, que foi escolhido o melhor líbero do último mundial. Quando achamos que o Bernardinho vai ter um ataque cardíaco em plena quadra, ou vai pendurar o apito no próximo campeonato, ele ganha mais um. Além de tudo isso, ele é o primeiro a acordar no Centro de Treinamento de Saquarema (RJ) e sai puxando a corrida pela práia com a galera às 6 da manhã.
O trabalho psicológico tem que ser forte com os nossos atletas, à exemplo do que é feito há anos nos países que levam o esporte à sério. Vimos como isso faltou à ginasta Jade Barbosa, que mostrava um semblante triste e preocupado antes de cada performance na Olimpíada de Pequim.
Mano Menezes já incorporou um psicólogo à sua equipe, e alfinetou Dunga há 3 dias, dizendo que a seleção se afastou dos torcedores e menosprezou a imprensa.
O futebol brasileiro abandonou a arte de encantar o mundo nos gramados na África do Sul. Não tínhamos banco e o técnico não escalou potências que poderiam ter feito a diferença com o seu futebol moleque e desconhecido das outras seleções. Pelo jeito ele não concorda com Sun Tzu, o famoso general chinês do século IV antes de Cristo, que em seu livro A Arte da Guerra, afirmou que “o fator surpresa é das grandes armas que um exército deve levar em conta para vencer seu oponente”. Simplesmente fechar o treino para a empresa, não quis dizer que ele tinha “grandes e mirabolantes planos” para derrotar os outros times.
Manter-se no topo, seja no esporte ou na vida corporativa, envolve um coquetel de ingredientes. Cada um descobre o seu e, conforme Gean Carlo, o chefe da maravilhosa cantina Brasiliana em São Paulo afirmou num papo comigo ontem, após um inesquecível raviolle de abóbora ao molho funghi, ninguém passa todos os detalhes de suas “receitas” à frente. Steve Jobs da Apple sabe disso, Jeffrey Bezos da Amazon.com sabe, o ucraniano Serguei Bubka com seus 35 recordes no salto com vara sabia, A China sabe e o maior bilionário brasileiro, Eike Batista, também sabe.
Cada mago com o seu feitiço, e quem se propuser a continuar no topo terá que descobrir o seu.
Por Maurício Barcellos
Coach executivo, palestrante e especialista em liderança, técnicas de vendas e atendimento. É sócio fundador da Maxx Consultoria. Para conhecer a empresa e contratar seus serviços, acesse www.maxxpand.com.br









